Dormentes ferroviários: Conceitos e características

Tipos de Dormentes:

Será especificado agora de forma mais direta os tipos de dormentes e suas peculiaridades:

Dormente de Madeira:

Conforme supracitado, o dormente de madeira reúne quase todas as qualidades exigidas para um dormente ideal, sendo principal e mais utilizado dormente nas ferrovias do Brasil.

Os dormentes de madeira têm sido substituídos pelos dormentes de concreto e aço pela questão socioambiental brasileira, os índices de reflorestamento são deficitários e há certa dificuldade em captar madeira de lei em locais naturais.

A madeira ideal para se tornar um dormente deve ser colhida viva e em meses secos. Logicamente deve estar isenta de fungos e rachaduras.

O dormente poderá ser serrado ou lavrado em suas extremidades, sendo permitido aprofundamentos em variações da superfície em até 15 mm.

A durabilidade deste dormente está diretamente conectada aos seguintes fatores:

  • Clima;
  • Hidrologia;
  • Características do material rodante;
  • Época da colheita da madeira;
  • Nível absorção;
  • Tipo de fixação;
  • Modelo do lastro.

Vantagens deste Dormente:

  • Peso leve;
  • Fácil manuseio;
  • Serragem facilitada;
  • Possui valor residual;
  • Resistente aos resíduos industriais;
  • Resistentes aos processos logísticos na manutenção.

Desvantagens deste Dormente:

  • Suscetíveis aos fungos, insetos e ao fogo;
  • Permite, em certo prazo, a abertura da bitola e afrouxamento das fixações;
  • Maiores exigências para tratamentos químicos;
  • Protegidos por órgãos ambientais.
  • Zona de Fixação:

Abaixo estabeleceremos as zonas de fixação do trilho ideias para os dormentes de madeiras variando de acordo com os dormentes para bitola larga e estreita.

Para Bitola Larga (1,6m):

Deve ser fixada de 50 cm a 60 cm do centro do dormente.

Para Bitola Estreita (1m):

Deve ser fixada de 35 cm a 40 cm do centro do dormente.

Dormente de Aço:

O dormente de aço padrão geralmente tem formato de “U”. É considerado um dormente de material de produção misto, aço e brita.

Vantagens deste Dormente:

  • Leve;
  • Homogêneo;
  • Longa vida;
  • Boa resistência.

Desvantagens deste Dormente

  • Dificuldade para socaria;
  • Dificuldade para nivelamento;
  • Conduz energia elétrica;
  • Preço de produção.

Dimensões Estipuladas por Norma

Bitola de 1,6 m: 2,80 x 0,24 x 0,17 (comprimento, largura e altura em metro);

Bitola de 1 m: 2m x 0,22 x 0,16 (comprimento, largura e altura em metro).

A tolerância permitida é de 5 cm para comprimento, 2 cm para largura e 1 cm para altura.

Tratamentos Químicos Para Dormentes de Madeira

Este processo tem por objetivo tornar o material (dormente de madeira) tóxico aos elementos biológicos, e podem ser através de preservativos oleosos e hidrossolúveis.

Dormente de Concreto

Este tipo de dormente tem sido o preferido para o transporte de passageiros, ou em ferrovias “leves”, porém para ferrovia de carga, ferrovias pesadas, ela apresenta algumas desvantagens custosas e que apresentam alto risco, como o trincamento.

O concreto e o aço (base interna) deve obedecer a todas as especificações técnicas para a perfeita produção deste tipo de dormente.

Vantagens deste Dormente

  • Longa vida útil (se não ocorrer acidentes);
  • Estabilidade;
  • Boa Resistência a intempéries;
  • Uniformidade de homogeneidade;
  • Baixo custo na manutenção.

Desvantagens deste Dormente

  • Alto peso;
  • Necessidade de maquinário específico;
  • Dificuldade de transporte;
  • Produção altamente apurada;
  • Dificuldade de fixação;
  • Alto nível de lastro;
  • Perda total em caso de acidentes.

Dormente de Polímero (Vulgo “plástico”)

Podem ser produzidos a partir de materiais reciclados ou a partir de fontes oriundos do petróleo. Possuem formato próximo ao de madeira e podem ser combinado com esses na via.

Vantagens deste Dormente

  • Longa vida útil (50 anos em média);
  • O mais leve dos modelos apresentados até o momento;
  • Não racha;
  • Não trinta;
  • Não conduz energia elétrica;
  • Mantém permanente as propriedades físicas (dimensões);
  • Fixação padrão;
  • Resistente a vibrações, intempéries e agentes biológicos.

Desvantagens deste Dormente

  • Deteriora em contato com fogo ou elementos com alta temperatura;
  • Concorre diretamente com dormentes de madeira;
  • Matéria-prima de fonte não renovável.

Taxa de Dormentação na Linha Principal

Para Bitola Larga:

  • Quantidade por KM: 1667 a 1820 dormentes (cerca de: 1,66 a 1,82 dormentes por metro).
  • Espaçamento: 55 cm a 60 cm.

Para Bitola Estreita:

  • Quantidade por KM: 1667 dormentes (cerca de: 1,66 dormentes por metro).
  • Espaçamento: 60 cm.

Manutenção de Dormentes

O primeiro estágio para a manutenção dos dormentes é a verificação de seu real estado de preservação, observando principalmente, condições físicas visuais, posição, e estado da fixação.

As verificações dos dormentes são:

  • Existência de trincas;
  • Existência de fendas;
  • Existência de rachaduras;
  • Destacamento de materiais.

Em caso de verificação destas anormalidades a forma de corrigir é adicionar o dormente ou trocar o dormente por um padrão.

Os seguintes parâmetros gerais podem ser identificados na via:

  • Dormentes queimados (por vandalismo ou efeitos do Material Rodante);
  • Dormentes partidos (por descarrilamento);
  • Falta de dormentes;
  • Empeno;
  • Rachadura;
  • Apodrecimento;
  • Existência de elementos biológicos no dormente (fungos e etc).

Uma substituição completa de dormentes inclui os seguintes passos:

  • Retirada Da Fixação;
  • Abertura Lateral Da Casa De Pedra;
  • Remoção Do Dormente Velho;
  • Inserção Do Dormente Novo;
  • Colocação Da Fixação;
  • Socaria Do Dormente;
  • Encaixe Do Ombro De Lastro.

Reespaçamento de Dormentes

  • Proceder a marcação do dormente de forma a adequar as distâncias com dormentes vizinhos;
  • Desguarnecer parcialmente o lastro no lado a ser trabalhado;
  • Remover os retensores (quando houver);
  • Soltar as fixações do dormente;
  • Deslocar na lateral o dormente com o auxílio de alavanca lisa até que o dormente fique perpendicular ao eixo da via e no local definido com antecedência;
  • Fazer o reaperto das fixações;
  • Recolocar e ajustar os retensores (quando houver);
  • Voltar o lastro até a face superior do dormente, fazer socaria e acerto do perfil.